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9 de julho de 2014

De mim.

Bati a porta de entrada atrás de mim. Me livrei das amarras do dia a dia tirando o sutiã e soltando o cabelo do coque. Minhas pernas doíam, pois peguei pesado na academia. Mas nada, nada comparado ao buraco imenso que eu sentia no meu peito.
Não acendi nenhuma luz, não chequei ligações perdidas no telefone fixo e não abri nenhuma correspondência. Abri a geladeira e me servi de uma bebida que, embora fria, esquentaria meus ânimos.
Sentei perto da varanda e observei a cidade escura e acesa, como sempre faço. Olhei a cidade com carinho, com amor e me senti mais sozinha do que nunca. É certo que eu havia saído de uma festinha com centenas de conhecidos e alguns amigos queridos, mas voltei pra casa sozinha, vazia e isso já havia perdido a graça, o "clichê" da situação a muito tempo.
Tomei meu drink, chorei compulsivamente, e a cada lágrima que caia de mim eu sentia o peso dos anos que passaram e das vezes que eu "me deixei pra lá". "Hoje não", eu dizia. "Amanhã eu ligo, depois respondo". Acabei sozinha.
E tão sozinha que se pudesse, nem eu mesma estaria aqui comigo.
Chorei mais ainda, quase sem fim e até esgotar tudo que eu sou e sentia.
Me perdi, me esqueci.
Tomei meu ultimo gole sem ter respostas e sem me sentir melhor. Mais um dia, ou menos um dia?
Acho que jamais saberei...

6 de março de 2013

Cores.

Anna gostava de dar nomes as cores, e as pessoas desesperadas na rua na hora do rush.
Gostava de cachorro grande, de cachorro quente e de refrigerante.
Gostava de beber toda quinta à noite, e de sentar perto da janela no ônibus.
Anna gostava de gente, de sapatos e de roupas que ninguém usava, nem ela mesma.
Gostava de gostar das coisas, gostava da distração daquilo tudo e percebeu que sentia falta de algo, mesmo gostando de tudo...

Anna chegou em casa, e não acendeu as luzes como de costume. Sentou nos pés da cama e chorou baixinho como se estivesse com medo de ser reprimida.
Ela pensou,
Chorou até sentir que não dava mais e decidiu ir embora. Mas antes, olhou pela janela do quarto e viu como     a cidade ficava linda e iluminada. Teve que admitir a si mesma que apesar de gostar de todas as coisa, Anna não gostava , talvez, da mais importantes; ela mesma.

Anninha, fechou os olhos, e um grande barulho calou as buzinas e os mexericos da cidade. Para quem via de fora, enxergava um vermelho forte e vibrante.
Mas Anna, Anna gostou do branco cegante que viu.
Pela primeira vez sentiu algo bom lhe correr as veias.
Pode então dar um nome aquilo tudo. Anna chamou aquilo de paz.

26 de fevereiro de 2012

Sunday Morning

"But things just get so crazy living life gets hard to do
Sunday morning rain is falling and I'm calling out to you"


É domingo de manhã,a leseira da noite anterior se foi,eu começo a pensar e pensar nas coisas;sou uma outra pessoa agora.
Com a cabeça quente a gente não pensa,quase sempre diz sem querer e até o que não devia.Deixa alguns segredos escaparem e acaba se transformando em algo que não é,ou que não deveria ser.
Pensei de novo... Tantas coisas novas acontecendo,e eu numa curva sem poder olhar o horizonte e ver se vem chuva. Mas,e se fizer sol? Não,é mais fácil se prevenir,diminuir a aceleração e buscar algum lugar para se proteger dos pingos de chuva,que talvez nem venha,o que me deixa ainda pior.
É domingo de manhã e agora eu consigo raciocinar com a cabeça no lugar. Uma conversa franca e dura, me faz parar e olhar ao meu redor. O que eu tenho é o hoje, o ontem passou e já não volta mais. Amanhã é outro dia,um dia de incognita e que talvez nem aconteça,que talvez não chova. E mesmo não sendo fácil, me coloco a disposição para poder estar intensamente no hoje,sem me preocupar com o horizonte do depois e do depois...
Eu e minhas metáforas. Daquelas que eu já prometi não falar mais,e que só eu entendo.

30 de dezembro de 2011

Despedida.

Um dia sozinha no final de ano,e eu fico nostálgica.Penso nos 363 dias que se passaram,no que eu fiz,e recupero lembranças de uns anos que se passaram para fazer um balanceamento.Conclusão? Meu ano de 2011 foi especial,e mesmo com umas pedrinhas e outras,foi maravilhoso.
Não vou me justificar em relação aos "porques" do ano bom, não vejo necessidade.Não sinto mais vontade de escrever aqui,e isso é justificável,e quase obrigatório. Eu não sei se alguém,além de mim lê as coisas que escrevo,mas não gosto de me preocupar com certas palavras,colocações.Um dia,fiz um texto qualquer e acabei me metendo numa situação desnecessária.Enfim.Continuo com ideias e uma vontade de escrever absurda,mas não mais online...
De amigo secreto,ganhei um caderno de anotações totalmente sem pauta.E é nele,que eu vou escrever quando tiver vontade,sobre qualquer coisa sem me preocupar se alguém vai ler,o que vai achar,e ficar enchendo por causa de uns errinhos de português.Guardo minhas metáforas que só eu entendo,para esse amigo meio amarelado de páginas grossas.Claro que vez ou outra,eu acabarei voltando com uma história qualquer que não exista.E assim espero,que não conte com nenhuma verdade camuflada entre minhas palavras.
Engraçado como os "melhores amigos" conforme os anos passam mudam,não?!

24 de maio de 2011

Às madrinhas,um adeus,nunca mais

Era tarde já,e depois de receber um convite por email de uma colega do colegial para seu casamento,fiquei pensando nas promessas que fiz quando era adolescente e me lembrei das minhas madrinhas...
Meu casamento seria ao ar livre e eu imitaria um,ou todos os casamentos dos filmes "teens" que eu via na época.Eu teria umas cinco madrinhas,mas duas em especial estariam ao meu lado todos os dias até o dia do casamento.Não seria difícil escolher essas duas porque elas já existiam e já conviviam.
O casamento seria sim um clichê,porque além de tudo eu era dramática,e o clichê combinava com o dramático.
Pois bem.Não cheguei a pensar com quem casaria se meu casamento fosse naquele momento.Acho que nada mais importava do que minhas duas madrinhas,minhas duas melhores amigas.
Nós passávamos tardes e virávamos noites olhando revistas e entrando de penetras em casamentos pela vizinhança.Nós ensaiávamos as danças,os discursos e até fizemos pequenos votos umas para as outras.Na falta de um garoto,casamos as três e vivemos assim até os dezesseis,dezessete anos...
Bom,era de se esperar que depois do colegial nós mudássemos,e não ficassemos mais vidradas em casamentos e todas aquelas coisas.
Eu fui a primeira a entrar num relacionamento sério e firme,a descobrir a faculdade e a perder o sono com provas finais e prazos.A do meio,já estava noiva e grávida do primeiro filho.Trabalhava,estudava a noite e se preocupava com fraldas e chocalhos.A mais nova,estudava ainda no cursinho e descobriu o amor cedinho cedinho,foi até de assustar!
mas um dia,sentadas na mesinha de centro,nós conversávamos e às vezes o silêncio se espalhava no ar e nós lembrávamos do colegial apenas e riamos,do que passou,não do que tínhamos.Vez ou outra uma comentava do trabalho,a outra do bebe e eu do namorado de longa data.Mas os assuntos não batiam,e eu me senti só,havia perdido as minhas amigas.Ou pior que isso,as únicas madrinhas de casamento!

Depois de ler o email,passar por quase dez anos em cinco minutos,olhei pela janela e parecia que estávamos no quintal de novo.Eu daria qualquer coisa para viver nossa união novamente...

7 de janeiro de 2011

Dia Comum

(...)

Olhou pela janela do carro.Já não sentia mais a mesma emoção de dirigir o carro do ano.O vento batia em sua testa,pois seu cabelo já estava ralo e sem brilho.
Perdera tudo nos últimos segundos,até a alma.
Lançara-se em um abismo sem volta,sem pensar e sem medir a altura.Esquecera do mundo real e se entregou a maior fantasia do mundo.Seu mundo.
Perdera a dignidade,o brilho e até certo respeito.Já não era digna de mais nada.

(...)

Quando deu por si,estava dirigindo seu carro do ano em plena Nove de Julho.
As pessoas sorriam para sua matéria.Ela,olhava pelo retrovisor e enxergava o real.Nunca vira tanta verdade refletida.Não sabia o que pensar,deixou-se derramar então.



"Porque 'hoje é mais um dia
como outro dia qualquer'.
É só um dia então como outro dia qualquer,
em que você não é ninguém
especial pra ninguém."


Um Dia Comum - Dance Of Days

16 de outubro de 2010

Outras coisas

Um mix de sentimentos.Agora entendia o que Max sentiu quando recebeu aquele livro contando sua história,seu íntimo.Talvez não fosse para tanto,mas a gravidade das coisas acabam sendo aumentadas quando os olhos estão voltados para dentro,vendo apenas o que querem.
Eu quero fugir de todos os rótulos,todas as coisas que eu não gosto sem entrar em contradição e acabar fazendo o mesmo mais tarde.Queria poder sair voando por ai e sentir na pele arrepio de verdade,vento,chuva pesada.
Fechei os olhos,e te encontrei sentindo saudades de mim,te neguei enquanto pude e continuei meu caminho sorrindo e dando risada alta e descontrolada.Senti uma enorme raiva por você não estar comigo dividindo mais um daqueles momentos incríveis.(Jurei te levar lá um dia desses)...
No bar,nós conversamos e meu pensamento voou longe,não mais porque o assunto estava interessante e a companhia muito agradável.
Não sabia que idade tinha,se teria idade,e se um dia largaria todas minhas manias e biquinhos.Não sei se um dia conseguiria olhar para frente e não sentir passos junto aos meus.Logo eu,tão independente...Senti seus olhos me olharem de longe,me dizendo que as coisas ficariam boas.
Escrevi mais uma história,terminei minha bebida e fui embora.Ainda não sei explicar,talvez seja medo,ou talvez eu nunca descubra o que é.Sei que não me senti livre,como deveria estar.

____
'Se o ama,deixe-o livre'

22 de setembro de 2010

Sobre espaço

Quando eu paro para pensar em espaço,logo penso em milhares de umbiguinhos redondos presos em quadradinhos com cercas e alarmes.Me vem a ideia total de individualismo,e isso às vezes me incomoda mais,sei lá.Me faz perceber que as coisas não são tão únicas assim,e que parar para prestar a atenção no outro,pode resolver muitas coisas.
Acho que o mundo está muito calado,muito quieto e algumas pessoas,não aguentam essa pressão e acabam explodindo de vez expondo suas ideias de maneiras agressivas e certas vezes até constrangedoras.
Você já deve ter passado pela Praça da República a tarde e deve ter visto um evangélico gritando ao sete ventos que o fim está próximo,e que só terá salvação quem acreditar Nele.Já deve ter visto também um menino,ou ora uma mulher que fazem alguns exercícios de matemática e mostram o "impossível" em segundinhos na lousa improvisada.Tem também,os Vegetarianos que em dia de "Mc Dia Feliz",só faltam se rasgar em mil pedacinhos e te obrigar a comer um pedaço.Os homofóbicos reprimidos,os gays sem pudor.Sem esquecer daqueles que juram pela própria mãe que já viram,já tocaram um OVNI e um extraterrestre...
É engraçado de ver como as pessoas sentem a necessidade de formarem tribos únicas onde todos tem as mesmos ideais e pensamentos idênticos.Pode até ser uma comparação chula,mas isso me faz lembrar um pouco da Alemanha Nazista,e daquele bigodudo que queria que as coisas fossem do jeito dele,sem tirar nem por.
Ficamos tão isolados,tão ocupados com as coisas do dia a dia que esquecemos que conversar é o essencial.É preciso conversar com alguém pelo menos uma horinha por dia para não enlouquecer...Digo isso,pois convivo com pessoas assim ao meu redor.Se acham superiores as outras e acham que suas ideias,seus conceitos são melhores do que qualquer um outro,sem esquecer de que há um outro alguém a julgando e transformando tudo numa bola de neve sem fim.
Queria que as pessoas parassem tanto de gritar nas ruas,de mostrar suas ideias desesperadas a simples passageiros.Queria que por um dia,todos saíssem de casa sem se preocupar com seus celulares,ou sua vida social na internet.Seria bom parar um pouco e ouvir.A cidade,as pessoas tem tanto a dizer...
Esquecemos tanto dos amigos,de velhas pessoas que acabamos sozinhos e isolados numa bolha onde nós mesmos nos colocamos,ai acabamos invadindo o espaço do outro.Seja com o celular nas alturas ouvindo o que você quer,seja desrespeitando o que as pessoas comem,vestem acreditam ou são.
Não sei,falta muito ainda,e talvez nós nem sejamos pessoas que um dia evoluirão.Tudo parece ter regredido e piorado cada vez mais.Sinto falta de pessoas de verdade.Me entristeço com esse comodismo todo.

11 de setembro de 2010

Querido Diário Otário

(Um eu,várias de mim em:Hormônios)

5 horas da manhã de sábado,dia 11 de setembro.Acho que acabei acordando de um sonho ruim,me espreguicei,senti dor e fui ao banheiro.Era cedo demais para tudo,até para a surpresa prevista para o dia seguinte,domingo.Voltei para cama com cólica,dor de cabeça e fome.Lembro que uma família na rua discutia e não me deixava em paz.Precisava dormir,pois acordaria,até então,depois de três horas...
Deu certo não pensar na dor e eu consegui cochilar um pouquinho. Acordei antes da hora,mas estava melhor,mesmo que ainda com um pouco de dor.O sábado seria maravilhoso,decidi,e então tudo fluiu bem.
O ônibus lotado demais para o horário.Nos ouvidos,algo mais divertido:"Confesse,confesse,você já tentou em fugir daquilo que chamou de amor!"Tudo bem,e só foi melhorando...Aprendi que há recepcionistas em shoppings,e que ser Engenheiro de alimentos é bem legal,tirando a parte toda de matar bois e pedacinhos dele grudarem na sua boca...
O sol estava radiante e eu me arrependi de não ter saído de casa com algo mais leve e mais claro.As unhas estavam um jeans só e eu abalei com a sombrinha mais escura,azul escura!
Estava impossível e feliz,mesmo com a dor de cabeça e o sol me queimando por dentro e por fora.
Os toques estavam melhores,e os beijos mais longos,desculpas para fotos e quem sabe bons momentos no parquinho.Aah o parquinho...
Enfim uma corrida e a volta pra casa.Conversa demais,calor demais,baratas demais e algumas lágrimas.Se foram de verdade,se tinham sentimento real,ou se foram apenas meus queridos hormônios eu já não sei!Mas nessa hora,a dor parece ter voltado ainda maior.Percebi então que precisava ser mimada,ouvida e acolhida.O bebê que eu tinha estava feliz e inseguro com seu novo relógio chocolate.Pensou que tudo ficaria bem,rezou baixinho e esperou ser atendida...
Cheguei e dediquei algumas horinhas conversando com ela.É engraçado ainda depois de tanto tempo descobrir que as pessoas nem sempre são,nem fazem tudo que dizem.É bom saber que há defeitos e verdadeiros sentimentos escondidos embora todos ainda permaneçam com seus fones de ouvido...
Ouvi seu conselho.Tomei um belo banho para relaxar,deixar a rua no ralo,comi alguma coisa e fiz essa historinha.Não sei se posso segurar tudo nas mãos,ou levar certas coisas nas costas.Não posso olhar torto nem responder certas vezes.Mas hoje,só por hoje culpo os hormônios,todos eles!

12 de agosto de 2010

Samantha

Dissimulada é Samantha!
Não anda e não dança
Balança e nunca cai
Pobre Samantha!
Canta desafinado e mesmo assim ainda tem plateia
Não espera
Ninguém é como ela
Samantha.
Menina dos olhos e de meu coração
Fique mais um pouco,ainda falta muito,e eu só tenho essa canção...

11 de agosto de 2010

Telefone

Tri ri rim Tri ri rim
O tele fone toca,não é ninguém pra mim.
Tri ri rim Tri ri rim
Deixa recado,estou tomando banho e não posso atender
Tri ri rim Tri ri rim
É o Bem do outro lado do mundo querendo me dar um cheiro
“Você tem,1 ligação perdida”
Tri ri rim Tri ri rim
Diga que não estou,mas me ligue de volta,posso precisar falar com você
Tri ri rim Tri ri rim
Ligaram errado e hoje eu estou com pressa
Tri ri rim Tri ri rim
O telefone toca,talvez dessa vez seja pra mim
Tri ri rim Tri ri rim
O telefone toca sem parar.
Cansei por hoje,já enlouqueci demais.
Tri ri ri...
“O telefone chamado parece estar fora da área de cobertura.Por favor tente mais tarde.”